A cooperativa envio 24
A ideia da Cooperativa nasceu na experiencia de muitos anos como pequeno transportador no transporte internacional com o meu camião. Numa primeira fase “encostado” a um transportador (como grande parte dos meus colegas faziam). Já naquela época pagávamos 50 mil escudos por mês (actualmente aproximadamente 250,00€) para podermos ter o nosso carro “encostado” e todos os benefícios ficavam para esse transportador.
É por essa razão que me custa saber que alguns dos pequenos transportadores estão a entregar toda a sua vida profissional na mão de empresários sem escrúpulos que, apesar de saberem que a lei não permite este tipo de “encostos”, correm o risco de perder o alvará.
Uma pergunta se coloca:
Acham que se este tipo de “encosto” não fosse extremamente lucrativo para estes empresários, eles correriam o risco de perder o alvará?
Depois de esta pequena introdução irei fazer um resumo da vida da nossa Cooperativa.
Como já referi na introdução, a ideia da Cooperativa nasceu no internacional ao ver como todos os pequenos transportadores europeus se juntavam em cooperativas para melhorarem a sua vida profissional, não só aumentando os seus ganhos como reduzindo os seus custos.
Fiz uma primeira abordagem ao Instituto António Sérgio (entidade reguladora do sector cooperativo), aproximadamente em 1998. Fui atendido por um “doutor”, do qual já não me recordo o nome, que se prontificou em ajudar-me no que fosse necessário para criar a Cooperativa. Comecei a contactar alguns colegas de profissão. Já tinha bastantes interessados, uma vez que grande parte não tinha alvará e andavam como eu a “fazer a casa” para outros. A determinada altura recebo um telefonema, da pessoa que me atendeu no Instituto, muito aflito informando-me que se desligava de tudo, pedindo o favor de não mencionar o nome dele de modo a que não o ligassem ao projecto da criação da Cooperativa. Ainda hoje não compreendo o que assustou o “senhor doutor”.
Muito sinceramente não me interessa saber, aprendi com o passar dos anos que “dos fracos não reza a história”.
Nessa altura fiz o curso da ANTRAM e formei a minha própria empresa.
Mesmo com a minha empresa criada e em plena actividade, nunca abandonei a ideia da Cooperativa. Passados alguns anos comecei a ouvir que a lei dos transportes ia mudar e pensei que era nesta altura a Cooperativa fazia sentido.
Encaminhei-me, novamente, ao Instituto António Sérgio e desta vez consegui toda a “papelada” e esclarecimentos adicionais necessários para iniciar o processo.
Falei com amigos, que estavam interessados em trabalhar legalmente, fizemos reuniões, assinamos actas, fizemos de tudo mas do Instituto António Sérgio só dificuldades e burocracias. Ajudas… nenhumas!
Foi então que conheci a nossa actual advogada que, nos deu todo o apoio e com experiencia na área das cooperativas e inteligência, nos encaminhou para que a Envio 24 Cooperativa fosse reestruturada e assente em bases sólidas nas leis das cooperativas.
Em 2004 tivemos muitas pessoas a tentar desestabilizar, mas com muita perseverança conseguimos ultrapassar as dificuldades que enfrentamos.
Arrendamos um pequeno armazém no Montijo e trabalhamos durante alguns meses com clientes finais (fazíamos armazenagem e distribuição directamente). Os 5 primeiros sócios trabalharam e investiram muito mas a nossa vocação não era essa. Nós somos distribuidores e é isso que sabemos fazer bem.
Começamos, então a trabalhar directamente para as grandes empresas de transporte e logística, que nos alugam as viaturas e nos pagam atempadamente pelo serviço de distribuição.
Entretanto, fomos contactando as Câmaras Municipais de Alcochete, Montijo e Palmela no sentido de nos ajudarem a ter um espaço onde pudéssemos estacionar as nossas carrinhas e fazer pequenas reparações quando fosse necessário. Não vimos qualquer abertura da parte das autarquias. Fomos bem recebidos, mas estão mais habituados tratar com o empresário com intenção de criar riqueza própria do que com um presidente de uma Cooperativa onde a riqueza gerada é dividida mediante a produção de cada cooperador. Não perdemos a esperança que um dia algum autarca faça como os seus homólogos “alcaides” em Espanha, onde em todas as regiões criaram parques para viaturas, em colaboração com as cooperativa locais.
Dia 16 de Fevereiro é a data de entrada em vigor da Lei 257/2007. Qualquer viatura com 3.500 kg. vai, obrigatoriamente, necessitar de alvará para poder fazer transportes de mercadorias por conta de outrem.
No que diz respeito á Envio 24 Cooperativa de Distribuição Porta a Porta, C.R.L., tudo fizemos para que ninguém ficasse sem o seu pequeno negócio.
Estamos a funcionar em pleno com mais de uma centena de sócios cooperantes.
Dados atuais da Envio 24
- Frota ativa de 107 viaturas:
- Citroen Jumper – 16;
- Fiat Ducato – 3;
- Ford Transit – 25;
- Iveco Daily – 18;
- Mercedes-Benz – 19;
- Mitsubishi Canter – 7;
- Nissan Cabstar – 2;
- Peugeot Boxer – 3
- Opel Vivaro - 2;
- Renault Master – 8;
- Toyota Dyna – 2;
- Volkswagen LT 46 – 1;
- Volvo – 1.
- A frota é composta por 4 viaturas pesadas, 3 das quais com temperatura controlada;
- Nas ligeiras, temos 8 viaturas com temperatura controlada;
- Avaliação da frota em aproximadamente 800.000,00€;
- Capacidade de carga de 150 toneladas (150.000,00 kg.);
- A idade média de 8 anos.
Porque o ambiente é uma preocupação para todos, na Envio 24:
- 1/3 da frota possui filtros de partículas, evitando assim envio de grandes quantidades de partículas nocivas ao meio ambiente;
- Mais de 2/3 da nossa frota utiliza uma mistura de gasóleo com biodiesel (variando a mistura entre B20 e B90 – 20% de biodiesel e 90% de biodiesel).
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